Este é o segundo post de uma série de nove publicações que abordam o nascimento do projeto PortoAlegre.cc. O primeiro post chama-se ‘O que é Wikicidade: da academia à prática‘. Quer acompanhar toda a saga, então segue esse link que toda semana tem novidades.
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O projeto PortoAlegre.cc não é resultado do acaso – é, sim, fruto da união do pensamento acadêmico com práticas comunicacionais que vem sendo trabalhadas há muito tempo. Foi assim que nasceu o conceito de Wikispot, hoje no longínquo setembro de 2010 – quando algumas pessoas se reuniram para buscar uma nova abordagem de engajamento cidadão.
Naquele momento, a Unisinos preparava a inauguração do seu campus em Porto Alegre. Para marcar o fato, quatro professores universitários do curso de Comunicação Digital – Guilherme Caon, Sílvio Alves, Domingos Secco Jr e eu – consolidaram diferentes discussões e vertentes acadêmicas em uma ação prática: como trabalhar essa oportunidade, engajando a sociedade em uma mudança de mentalidade e entregando algo de valor, de utilitário ao mesmo tempo para a cidade?
Nascia ali o Redenção.cc.
O projeto unia uma plataforma digital que registrou, com conteúdo rico, os 21 pontos turísticos do Parque Farroupilha e permitia que as pessoas construíssem, de forma colaborativa, um mapa de percepções e sentimentos sobre aquele espaço urbano a partir da ótica de seus frequentadores – e não mais da visão única de um historiador, por exemplo.
Tudo começou com um chamamento nas redes sociais, um manifesto para que fosse retomada a discussão sobre o espaço que está no coração de todos nós.
Ao mesmo tempo, e ao longo de dez semanas, a Unisinos promoveu diferentes ações naquele contexto – de cidadania, chamando a gurizada para limpar a Redenção no dia da eleição do primeiro turno; de conhecimento, com oficinas que aconteceram aos domingos; de entretenimento, com pocket shows acústicos em vários cantos e recantos do parque com DoYouLike?, Apanhador Só, Superguidis e Graforreia Xilarmônica.
O projeto captou a memória e as reminiscências de uma galera sobre o Parque da Redenção – de gente como Nei Lisboa e Wander Wildner à dona Cecília e seus cataventos ou o Palhaço Bubbaloo.
Redenção.cc foi um fenômeno nos sites de redes sociais – o perfil do projeto no Twitter alcançou marcas importantes e mobilizou grandes nomes em torno da proposta (foram mais de 2,5 milhões de pessoas impactadas pelos conteúdos gerados pelo projeto).
Ir à Redenção aos domingos virou, no Twitter, ‘bora tomar um ximas na @redencaocc?‘. A adesão foi em peso, e orgulhou cada pessoa que doou sua inteligência e seu suor para fazer aquela ideia acontecer.
Dali, veio uma ligação da Prefeitura de Porto Alegre, da jornalista Jandira Feijó, para saber como todo esse engajamento acontecera. Algumas semanas depois, a Unisinos e a prefeitura trabalhavam, juntos, em uma proposta para estender a experiência para toda a cidade.
Os princípios do Redenção.cc inspiraram a nova jornada – o resgate do passado, a discussão dos temas do presente e a projeção de cenários futuros para a cidade. Quatro meses depois, era lançada a plataforma colaborativa PortoAlegre.cc – um projeto realizado com a participação da Unisinos, Prefeitura de Porto Alegre e Parceiros Voluntários.
A história dessas três organizações que lançaram as bases do PortoAlegre.cc é motivo para o próximo post da série.